Ser Hannah Baker não te exclui de ser um porquê também!

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Recentemente saiu na Netflix a série 13 Reasons Why (br: Os 13 Porquês), uma adaptação do livro de mesmo nome do autor Jay Asher, publicado em 2007. Acho que essa foi a primeira vez em que eu fiquei receosa de ver uma adaptação e vou dizer o motivo. 

"Uma caixa de sapatos é enviada para Clay (Dylan Minnette) por Hannah (Katheriine Langford), sua amiga e paixão platônica secreta de escola. O jovem se surpreende ao ver o remetente, pois Hannah acabara de se suicidar. Dentro da caixa, há várias fitas cassete, onde a jovem lista os 13 motivos que a levaram a interromper sua vida - além de instruções para elas serem passadas entre os demais envolvidos."

Li o livro em 2015 e fiquei realmente abalada com ele. Não é apenas sobre o suicídio de uma garota, é sobre agressões diárias sofridas na escola, sobre procurar ajuda e ninguém levar seu pedido à sério, é sobre até onde os limites psicológicos de alguém podem estender-se. Coisas que, infelizmente, eu estou bem familiarizada. A série me trouxe todos esses sentimentos de volta e acabou sendo bem doloroso enfrentar isso outra vez, embora não tão forte como antes.


Além de me trazer todas esses pensamentos e toda essa identificação com a Hannah, a série me fez refletir profundamente sofre os personagens que foram a razão de seu suicídio. Me monstrou que eu também posso ser um porquê. Sou um porquê de alguém quando rio de alguma piada que fizeram com esse alguém. Sou o porquê de outro alguém quando faço algo ruim para essa pessoa, não importa se foi algo que outros diriam ser "simples". Também sou um porquê quando vejo alguém sendo agredido de qualquer que seja a forma e não faço nada para impedir. E essa é a pior parte. Como alguém que sabe o que ser uma "Hannah" é horrível perceber que não me importei o suficiente com o outra pessoa que também conhece a sensação e me tornei um daqueles que me fizeram mal.

2 comentários

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Thaís Regina
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30 de abril de 2017 15:36 delete

Jéssika, essa adaptação é realmente bem pesada, principalmente para quem já passou pelo o que eles retratam nela. Eu li o livro depois, mas o mesmo é também bem pesado... Gostei da sua reflexão, porque é exatamente assim que eu penso. Mesmo quem se identificou com a Hanna, algum dia, em algum momento, já foi o porquê de alguém. E refletir sobre isso é tão difícil, não é? Mas talvez seja necessário para nos tornarmos pessoas mais empáticas, e lembrarmos que um comentário pode ter um efeito gigante na vida da outra pessoa.

Um beijo!

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30 de abril de 2017 16:36 delete

Sim, não foi fácil e nem interessante me ver em várias das situações que a Hannah passou mas foi beeem pior ver que eu posso ser um "porquê" de alguém já que eu sei o quanto os meus vários "porquês" me prejudicaram ou ainda prejudicam. Mas apesar de tudo esse tapa na cara que é essa série valeu super a pena e me deixou bem mais atenta sobre as minhas atitudes.
Beijos

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